07/05/2012

Cap 23 - A Fé - Parte 8 (Final)


A NOVA JERUSALÉM

“A QUEM VENCER, EU O FAREI COLUNA NO TEMPLO DO MEU DEUS, E DELE NUNCA SAIRÁ; E ESCREVEREI SOBRE ELE O NOME DO MEU DEUS, E O NOME DA CIDADE DO MEU DEUS, A NOVA JERUSALÉM, QUE DESCE DO CÉU, DO MEU DEUS, E TAMBÉM O MEU NOVO NOME.” APOCALIPSE 3:12

“14MEUS IRMÃOS, QUE APROVEITA SE ALGUÉM DISSER QUE TEM FÉ, E NÃO TIVER AS OBRAS? PORVENTURA A FÉ PODE SALVÁ-LO? 17ASSIM TAMBÉM A FÉ, SE NÃO TIVER AS OBRAS, É MORTA EM SI MESMA.” THIAGO 2:14 e 17 

A antiga capital do reino de Judá era também a capital da província da Judeia. Centro político e cultural do judaísmo, situava-se no extremo de planalto no monte Sião, a 760 metros acima do nível do mar. Consistia-se na capital religiosa do povo hebreu e abrigava o templo de Salomão, onde se davam os mais importantes movimentos de cunho religioso, e que era o único local oficial para se oferecer sacrifícios a Deus. Defronte a esta cidade chamada santa ficava o monte das Oliveiras, a quase 900 metros acima do nível do mar. Jesus lamentou Jerusalém por não saber acolher os profetas enviados, como a ele próprio, e profetizou tristes consequências para ela, como a destruição do templo.

Outras cidades lamentadas foram Corazim, Betsaida e Cafarnaum. No ano de 70 DC a cidade foi invadida pelas tropas do general Tito, houve incêndio e o templo destruído. O importante para nós é que a Jerusalém política, geograficamente assentada no Oriente Médio, miscigenada de tradições religiosas dogmáticas e que valorizam os cultos externos não tem significância nenhuma.

Ela não tem a menor importância para quem deseja progredir espiritualmente. Jerusalém é símbolo do evangelho e o seu sentido espiritual é que realmente nos importa. Sugiro a releitura do capítulo O Cego de Jericó, na parte daquela cidade.

“E escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome”. (Apocalipse) Na cidade de Jerusalém havia o templo e nesse templo era onde os sacrifícios a Deus eram operacionalizados. Nós falamos agora da Jerusalém espiritual, da “nova Jerusalém”, a que efetivamente nos interessa e projeta para o criador.

Esse entendimento só pode ser alcançado e se faz presente quando nós substituímos todo um sistema religioso, filosófico e espiritual por um “novo nome” que vai implementar o nosso processo de crescimento e ascensão. Esse “novo nome” a que se refere é a verdade que nos chega e é oriunda do plano superior.

Não há dúvida, esse “novo nome” é a verdade, que por sua vez é sempre gradativa, sempre chega em frações e é constantemente redimensionada. A “nova Jerusalém”, a Jerusalém espiritual que vamos identificar nos planos mais elevados da nossa personalidade, é uma nova concepção, representa um novo estado de espírito. Novas propostas, novos ideais, novo entendimento, nova forma de viver. Temos dado com a cabeça na parede nas buscas de crescimento por nos mantermos muito presos aos aspectos da relatividade humana, e porque não dizer aos graus muito escravizantes do tempo e do espaço.

Assim, vamos avaliar. Quantos de nós não continuam vivendo na cidade de Jericó (272 metros abaixo do nível do mar, aspectos voltados aos planos inferiores da vida mental, apego ao terreno materialista), ao invés de se lançarem e crescerem realizando no terreno onde amor opera (Jerusalém, 760 metros acima)?!

Há coisas implícitas da maior importância: “E escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e também o meu novo nome”. Quem escreve é aquele que vai se constituir coluna, a indicar que ele, em tese, está se identificado com os elementos do plano superior irradiadores da segurança no universo. É uma referência da relação dele com o próprio criador. É mais ou menos como Jesus disse: “eu e o Pai somos um”. “Escreverei o nome do meu Deus”, ou seja, o nome de Deus antes de qualquer coisa, acima de tudo, definindo que Deus irradia e ele opera. “Escreverei o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome”.

Não sei se está dando para entender, mas ele opera sob a tutela direta das emanações do próprio criador. Com esses nomes passamos a trabalhar muito mais com os padrões oriundos das realidades superiores da nossa vida do que conosco mesmo, sem perder a individualidade, claro. No decorrer do tempo vamos conseguindo neutralizar os nossos padrões negativos e passamos a dar um valor maior aos positivos, e mediante o exercício da nossa vontade, que é componente básico da vida mental, conseguimos trabalhar com êxito o plano da elevação.

“Jerusalém que desce do céu do meu Deus”. A gente precisa entender muito bem o que o texto está indicando. Ele não faz referência à Jerusalém física, lá de trás.

Não é Jerusalém geográfica, que está aqui embaixo, no plano terreno. Essa Jerusalém vem do céu, vem através de um processo elaborado pelo nosso campo interior.

O texto oferece muito conteúdo para a reflexão, e a gente tem lembrado sempre da necessidade de saber interpretar o símbolo. Nós estamos buscando a Jerusalém libertada, mas a Jerusalém libertada “desce do céu”. Ela é concessão divina. Muito antes de se pretender construir uma Jerusalém a nosso jeito ela já é construída para nos abrigar nos planos superiores da vida. Quando nós entramos em um processo de apropriação da verdade, o “novo nome”, entramos em uma ótica além da nossa individualidade, entramos nesse terreno que o texto faz alusão. Ou seja, é o templo que vem. Vem e está chegando cada vez mais perto de nós, à medida que abrimos a perspectiva de luminosidade interior. Vai se abrindo novos lances. É o insondável por enquanto, e já sondável em alguns ângulos, impenetrável em determinados ângulos e penetrável em outros. Está dando para perceber? Quem vai escrever o nome é o próprio cristo íntimo nosso mediante ações embasadas no campo do amor.

“Escreverei sobre ele o nome do meu Deus”. Por quê? Por que por enquanto nós realizamos as nossas edificações de baixo para cima no campo restrito da expressão pessoal. Mantemos uma linha egocêntrica. No entanto, entrando em ressonância com o “novo nome”, isto é, com o conhecimento espiritual da verdade, passamos a construir sob as emanações superiores, sob uma ótica elevada e ampliada.

À medida que começamos a trabalhar com os planos mais avançados passamos a estar mais vinculados às regiões espirituais superiores. Vamos entrosando em um plano mais equilibrado e feliz e nos reunindo a mentes que vibram e operam na mesma linha e mesma faixa de onda. E aí encontramos segurança.

Ligados lá nós estamos muito mais seguros. À medida que avançamos com conhecimento de causa, tranquilidade e segurança vamos nos integrando com as hostes cada vez mais avançadas e passamos a nos situar não mais naquele templo íntimo, mas num plano associativo. Jesus construiu nosso orbe como engenheiro sideral, mas ele integrava, como integra, uma plêiade de entidades.

Assim é que funciona, e a nossa ação, por mais individualista que seja, sempre está associada a uma linha de ressonância. Escrever o nome da cidade define que nós passamos com o decorrer do tempo a trabalhar não mais no espírito acanhado, restrito e individualista da salvação, e sim sob a tutela de uma coletividade.

O próprio Paulo define que caminhamos sob “uma nuvem de testemunhas”. Assim, nunca estamos isolados, sempre somos reflexos de alguma coisa, de algum grupo, como também outros refletem o nosso pensamento, positiva ou negativamente. Mais do que o autor de um pensamento e de uma atividade somos sempre os executores de um processo ou de uma proposta que dimana de um grupo, e que por linhas de relação gradativa chega até a gente. Mas não quer dizer que dessa forma ficamos cerceados em nosso direito de liberdade e ação. Não significa que estamos perdendo a individualidade para a coletividade. A coletividade é uma realidade, sim, sem que percamos a individualidade.

A conclusão é simples e interessante: Jerusalém fica a 760 metros acima do nível do mar. E para chegar lá nós temos que subir. Note que nos interessa a cidade no âmbito espiritual. A linha do subir define a necessidade de identificar padrões novos que dimanam de cima, porque a Jerusalém íntima “desce do céu”.

E dentro da cidade representa o campo de realização, o campo dinâmico nosso, onde vamos operar com aqueles que se aproximam. A gente tem batido muito nessa tecla, a preocupação de quem abraça o evangelho não deve ser a de fazer prosélito, e sim trabalhar com aqueles que a vida traz à órbita de ação.

Jerusalém é a cidade do Cristo, representa o campo operacional dele. Você está percebendo? Nós somos criaturas que operamos na fundamentação de Jerusalém, no seu sentido intrínseco, de profundidade, não no seu sentido geográfico.

O amor pressupõe a capacidade de doação, de oferta, e é no âmbito de Jerusalém que damos os testemunhos maiores. Ela assume o sentido de referência espiritual. Nela encontramos o templo, que é onde se oferece o sacrifício.

Jerusalém representa o marco das aquisições espirituais, é conquista obtida ao longo da jornada evolutiva. Podemos entendê-la hoje como sendo nossas conquistas no campo do espírito, é mente voltada aos padrões superiores da vida.

Jerusalém, como cidade santa, é o ambiente vibracional que define a legitimidade do nosso coração. Ela desce do céu, isto é, passamos a doar em função do alto, não mais em função do nosso interesse personalístico apenas. Jerusalém é o caminho de todos nós ao encontro do mestre Jesus, e é Jesus que vem de cima, que define essa estrutura. O templo, como expressão crística, o compreendemos como sendo o amor, não em sua linha irradiadora teórica em Deus, mas em sua dinâmica plena, aplicativa, em uma linha recolhida do criador e expressa de acordo com a capacidade decodificadora dela.

Então, isso é o templo de Jerusalém, o local do sacrifício, e não existe amor sem sacrifício. É a fonte onde o amor trabalha. Vamos pensar. O Senhor e os seus discípulos não viveram apenas na contemplação. Fé raciocinada é aquela que aplicamos na capacidade de mudança, não na capacidade de adorar a Deus mais do que adorávamos antes. A fé tem que ser operacionalizada. É colocação pessoal e intransferível, e estamos tentando embasar a obra na fé. Como não podemos estender a tristeza nas tarefas do bem, o contentamento de ajudar é um sinal da nossa fé, que por sinal é projetada em cima do que fazemos.

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